Quem pode ser contra a criminalização da homofobia?

É difícil aceitar reações contrárias a criminalização da homofobia. Ontem a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República divulgou um relatório que mostra em números como a homofobia está incruada no cotidiano nacional. Em 2011, a Secretaria recebeu 1.259 denúncias de agressões homofóbicas. A média é de 3.4 denúncias por dia. O número me surpreendeu, mesmo sendo subnotificado: o Disque 100 (serviço que recebe essas notificações) ainda é pouco conhecido no Brasil pois acaba de completar seu primeiro ano; além dos agredidos não denunciam.

De qualquer forma, é um número assustador. Como diminuir esses casos? Com uma lei que os qualifque, claro. A Lei Maria da Penha, que qualifica agressões contra mulheres, diminuiu esse tipo de violência? Não sei. Mas é claro que ela coíbe muitos desses agressores e oferece uma certa proteção a mulher. A lei do racismo diminuiu o racismo? Não, mas estabeleceu penas para quem se mostrar racista. Uma lei anti-homofobia teria, a médio prazo, um efeito parecido: não acabaria com a homofobia (só a educação e a cultura conseguirão esse feito) mas ela inibiria parte desses atos e coibiria tantos outros.

A impunidade em relação aos crimes homofóbicos é um tapete vermelho para o agressor.

E eu me pergunto como alguém pode ser contrário a essa lei. Não há motivo razoável. Querem continuar batendo, humilhando e matando gays? É isso? De onde vem esse ódio? Até entendo os que são contrário ao casamento gay, mas não posso aceitar quem embarga (e milita) a tramitação do PLC 122. É de uma crueldade sem tamanho.

Escrito por Marcelo Cia às 12:35:12

Fonte: Mix Brasil

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